Paraguai doa energia ao Brasil?

Março 31, 2008

O candidato à presidência da República do Paraguai Fernando Lugo, líder nas pesquisas para as eleições do dia 20 de abril, afirmou ser uma “dor de cabeça” para o Brasil. Isso se dá devido à intenção do candidato, se eleito, negociar o tratado de fundação da hidrelétrica binacional de Itaipu. Fernando Lugo é um ex-bispo católico que representa a aliança de partidos e movimentos opositores. O foco de sua campanha é a reclamação de um preço melhor pela energia que o Paraguai vende ao Brasil, que é seu principal sócio comercial. Lugo já está sendo apelidado pela imprensa brasileira de “vizinho revoltado”.

Ele ainda afirma que o Paraguai, há 34 anos, tem doado energia ao Brasil e que sua intenção é lutar por algo justo para seu país. O tratado de Itaipu teve origem em 1973 para que fosse construída a hidroelétrica. O tratado estabelece que o Paraguai deve vender ao Brasil o que excede de sua parte na energia gerada pela usina a um preço inferior do praticado no mercado. Vinte por cento da energia consumida pelo Brasil é gerada por Itaipu e a maior parte destinada às regiões Sudeste e Sul. O candidato diz que pagam atualmente mais de um bilhão de dólares pela importação de hidrocarbonetos, enquanto recebem menos pela exportação hidroelétrica.

A situação se assemelha ao que ocorreu na Bolívia em relação às plantas da Petrobras.
O presidente Evo Morales reivindicou a concessão das plantas da petroleira brasileira no país – subsidiada pela PDVSA da Venezuela. Tal situação causou desgastes entre os dois países e levantou alguns questionamentos acerca da integração sul-americana e a influência do presidente da Venezuela nas relações entre os outros paises.

Enquanto o candidato paraguaio fala sobre rever condições, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, disse que no próximo mês começam as reuniões técnicas para a construção de hidrelétricas na fronteira com países sul-americanos. Os projetos fazem parte de acordos firmados com os presidentes da Bolívia, Argentina e Peru para a construção de seis hidrelétricas.


População Argentina não deixa barato e protesta o aumento de impostos

Março 26, 2008

A presidenta da Argentina enfrenta sua primeira grande manifestação urbana. Milhares de pessoas realizaram uma passeata em apoio aos produtores rurais que estão em greve protestando contra o aumento dos impostos. As conseqüências da greve já refletem na economia do país e possível desabastecimento das cidades. As pessoas se reuniram em diversos pontos da cidade. Inclusive na “Plaza de Mayo” conhecida como palco de manifestações. Manifestantes e setores argentinos acusam Cristina de não dialogar com os empresários. Motoristas buzinavam e moradores saíam nas sacadas para fazer panelaços.

 A greve já causou a suspensão de envio de soja para a China, devido à interrupção dos carregamentos do grão e do óleo de soja argentino. O pais asiático teme escassez do produto durante o mês de maio. A China importa cerca de dois a três milhões de toneladas de sojas por mês. A Argentina é responsável pelo envio de cerca de um milhão de toneladas.  

São inúmeros os casos em que os argentinos não se calaram diante de situações desfavoráveis à população. Quando estive na Argentina percebi a indignação da população em determinados assuntos e a atitude de não deixar barato e protestar. Algo interessante que chama a atenção é a união do povo argentino na hora de protestar. Inúmeras associações, grupos e entidades se manifestam com o objetivo de protestar. Muitas pessoas no Brasil dizem que a população não abre a boca para nada e realmente isso é verdade, apesar do perfil brasileiro estar mudando nos últimos tempos ficamos bem atrás dos nossos vizinhos. 

Algo semelhante ocorreu na Argentina há mais ou menos dois anos quando o professor da província de Neuquen, Carlos Fuentealba, foi morto por policiais em um protesto realizado por sua categoria.  A população da província se mobilizou e conseguiu além de protestar fazer com que bancos, comercio e cartórios não funcionassem. Convenhamos que os protestos devem ser realizados de maneira civilizada e dentro dos parâmetros legais. O que não deve acontecer é a omissão por parte do povo brasileiro diante de situações absurdas. 


Trânsito e poluição também são problemas dos nossos vizinhos mexicanos

Março 25, 2008

São Paulo tem vivido momentos agonizantes relacionados ao trânsito. Todos se perguntam a que ponto chegaremos? O trânsito está cada dia mais caótico, já não existe hora nem lugar para aos grandes congestionamentos. O transporte público que deveria ser uma saída ao nosso gargalo está cada vez mais saturado e sem estrutura. Os investimentos na área são bem menores do que o necessário e numa velocidade ínfima. Entretanto, o trânsito não é um problema típico de São Paulo, entre as grandes metrópoles aqui mesmo na América Latina, a Cidade do México vive um momento semelhante ao nosso. 

Os habitantes da Cidade do México tem reclamado constantemente do pesadelo que é chegar ao trabalho devido aos grandes congestionamentos. Sem falar na poluição que se agrava a cada dia. A Cidade do México que abriga cerca de 20 milhões de habitantes respirar ar puro é cada vez mais difícil. Uma pesquisa do Centro de Ciências da Atmosfera da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), mostra que a poluição reduz em 67 dias ao ano a expectativa de vida dos habitantes da cidade. 

O mexicano atribui aos automóveis como principais culpados da situação. Eles lotam as ruas e o metro se satura com seis milhões de usuários ao dia. Os ônibus circulam em péssimas condições e as pessoas temem aos assaltos. Na cidade do México circulam atualmente 3.5 milhões de automóveis particulares. E anualmente a frota aumenta entre 200 e 250 mil automóveis de acordo com os dados da Secretaria de Transporte do Distrito Federal. 

A situação que a capital mexicana tem vivido mostra que este tipo de problema vai além da questão administrativa e política. A demografia e o crescimento dos grandes centros urbanos alinhados ao aumento na demanda de automóveis é característica relevante acerca do tema. Teorias são muitas para a resolução do problema, mas na pratica a situação é mais delicada. A Cidade do México já adotou medidas como “Hoy no circula” (Hoje não circula), uma espécie de rodízio que passou a ser burlado após os habitantes começarem a utilizar um segundo automóvel. Estudiosos mexicanos só conseguem enxergar como saída em curto prazo e de maneira eficiente o investimento em transportes públicos. Somente desta maneira é possível fazer com que os mexicanos deixem seus carros em casa. 


Cuba começa a mudar, mas Fidel ainda vive!

Março 24, 2008

Desde 2007 Cuba tem vivido um momento de incertezas e mudanças consideráveis. Fidel Castro deixou de atuar diretamente no governo da ilha desde que se viu debilitado para tal no mês de julho do mesmo ano. Seu irmão e companheiro, Raúl Castro, tomou a frente da função política. Após seu afastamento começaram as especulações dos rumos que o país tomaria a partir de então. Os Estados Unidos que vivem um impasse com a ilha desde o século passado voltaram suas atenções para Cuba. Entretanto, Fidel não deixou de existir.  

Por mais que as mudanças geradas pelo novo momento que Cuba tem passado comecem a surgir, não ocorrerão de maneira instantânea. Já temos algumas consideráveis como a liberação de compras eletroeletrônicas que inclui microondas, DVD e ferramentas. Os cubanos poderão viajar ao estrangeiro e retornar, e ainda utilizar hotéis que até então era reservado somente aos turistas. Além disso, poderão expressar suas opiniões no jornal Granma. Na área econômica inicia-se um processo de florescimento da economia de mercado e racionalização dos gastos de ministérios.  

Em termos de tecnologia na área da saúde é conhecida como referencial. Não se pode afirmar nada acerca do futuro da ilha, mas pode-se observar grandes esforços de adaptação e reestruturação caso as portas do mundo reabram para Cuba. O último evento público de Fidel foi na Cumbre do Mercosul em Córdoba na Argentina. Estava acompanhado de Hugo Chavez, além de seu admirador pessoal aquele que pensa em construir uma América baseada nos preceitos socialistas. A imprensa local repercutia a visita de Fidel e divulgava de maneira constante críticas de cubanos que vivem fora da ilha. Fonte:
Blog Visão Sul América
http://pressdanger.wordpress.com


Brasil ajudará Argentina a conter crise de energia

Março 20, 2008

O governo brasileiro enviará para a Argentina aproximadamente 400 megawatts. A ação foi informada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. E tem como objetivo ajudar o país vizinho a conter a crise que ocorre na época do inverno com o aumento da demanda de energia. O acordo para o envio de energia a Argentina foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva á presidente argentina, Cristina Kirchner. 

Um dos grandes desafios do governo de Cristina é conseguir conter a crise de energia que a Argentina sofre anualmente na época do inverno. Apesar de ser responsável pela produção de grande parte do petróleo e gás que consome, sua produção de energia elétrica já está no limite. O que a Argentina produz não está sendo suficiente para atender a demanda que varia entre 6% e 7% ao ano. O consumo é impulsionado pelo crescimento da economia. Nas residências a previsão de aumento de consumo é de 1.000 megawatts por ano. Na área de gás o aumento da demanda forçou o governo a importar mais da Bolívia. 

A última crise ocorrida em meados de julho de 2007 forçou o governo a liberar a venda de gasolina a preço de gás aproximadamente $ 1 peso argentino o litro, para os taxistas. Mesmo com o problema, a Argentina ainda está na frente do Chile e do Uruguai que são totalmente dependentes de seus vizinhos. O Chile hoje importa da Argentina grande parte do gás que consome. O país deixou de investir em planejamento no passado e agora sofre as conseqüências. Potencial geográfico o Chile possui, é possível a instalação de captações eólicas nas altas regiões da cordilheira, entretanto, faltam investimentos.

Essa crise energética interligada na América do Sul afeta diretamente o Brasil, um dos exemplos foi o corte de fornecimento de trigo ao país no ano passado. Grande parte do trigo consumido no Brasil é oriundo da Argentina. Com a crise de 2007 o país vizinho cortou o fornecimento de trigo ao Brasil que fez com que o país aumentasse a quantidade importada do Canadá. Isso gerou aumento significativo dos custos logísticos o que fez subir o preço do trigo e seus derivados. Com os novos acordos de produção de energia entre os paises da América do Sul será possível conter as crises ocorridas nesta época do ano.